A Vila da Trindade era habitada por índios Tupiniquins que viviam da caça e da pesca abundante nesta região. Quando Paraty se tornou porto para o escoamento das riquezas vinda das Minas Gerais para o reino português, Trindade se tornou ponto estratégico para os piratas atacarem os navios portugueses e suprirem suas necessidades de água e comida. Quando estes ancoravam na praia, os índios atacavam os navios, matavam os tripulantes e roubavam a carga levando-a para sua aldeia. Também praticavam antropofagia escondendo os ossos na caverna dos ossos, que se localiza na praia do meio. Os portugueses, por sua vez fizeram um caminho por terra de Paraty a Trindade, com intenção de recuperarem os seus tesouros invadiram a aldeia dizimando toda a tribo. Assim, Trindade ficou desabitada até a chegada de uma família, que fugia de São Vicente para proteger seus filhos de uma guerra. Que era constituída de um negro, uma índia, quatro filhos e uma menina adotada por eles, loura de olhos azuis cujos pais haviam morrido num navio. Com o passar do tempo, Trindade se tornou refúgio para outras famílias. Contam que as primeiras foram às famílias Lopes e Rosa. Dando origem assim, a uma nova aldeia com índios, negros e portugueses. Os trindadeiros Vivian isolado, cultivavam roças de subsistência (mandioca, banana, cana-de-açucar, feijão e café) e desenvolviam técnicas artesanais (cestos, gamelas, engenhocas etc). Diz a lenda, que existem tesouros enterrados e moedas antigas no leito das cachoeiras. Trindade a belíssima Vila de pescadores tem acesso pela Rodovia Rio-Santos na altura do Km 268 e está localizada a 27 km de Paraty, dentro da APA do Cairuçú, recebe diariamente turistas do mundo inteiro que querem conhecer as três pontas formadas pelas serras e banhadas por belas praias, que atendem aos mais exigentes visitantes. A Mata Atlântica ainda preservada acompanha, estática e silenciosa, o vai-e-vem do mar, que às vezes forma boas ondas para quem curte a prática do surf na praia do cepilho. Durante a década de 70 virou reduto e símbolo dos hippies, grupo não conformista, caracterizado pelo rompimento com a sociedade tradicional, especialmente no que se refere à aparência de se vestir e no modo de viver. Na década de 80 era o lugar dos aventureiros que vinham de longe, enfrentando a difícil estrada de terra (em especial o trecho de subida conhecida como Deus Me Livre) para acampar nas praias paradisíacas. De 1990 para cá o turismo tomou conta de Trindade. As casas dos pescadores viraram pousadas e bares simples, seus quintais transformaram-se em campings, abriram mercearias e lojinhas e asfaltaram o "Deus me Livre". Pesquisas arqueológicas realizadas na década de 70 encontraram vários sambaquis e abrigos com instrumentos e ossadas de povos pré-históricos. Um dos maiores problemas dos arqueólogos era a destruição destes sítios por caçadores de tesouros, incentivados pelas inúmeras lendas sobre piratas e tesouros escondidos.
A história mais recente, contada pelo povo caiçara fala do passado e da saga de índios, piratas, portugueses, navios com tesouro, pescadores, hippies e até uma empresa multinacional.
Esta última, na década de 70 apareceu na Trindade com homens armados para expulsar os moradores, eles alegavam, que a área era de posse da empresa (companhia) e que ali seria construído um condomínio de luxo. Mas, a população reagiu, depois de muitos enfrentamentos contra o poder do dinheiro e das armas, usando da sua capacidade de se organizar lutaram e conseguiram na justiça o direito sobre as terras. Hoje, o resultado dessa união é a Associação dos Moradores Nativos e Originários da Trindade que luta contra os males atuais: a preservação ambiental frente ao turismo em massa. Praia Brava: quem desce do "Deus-me-livre", a esquerda está o começo de uma trilha que leva a Praia Brava, que fica escondida dentro da enseada, entre costões rochosos e intensa vegetação. Nesta trilha encontra-se uma bela cachoeira, cujo riacho deságua na praia. Possui ondas violentas por isso e desaconselhável para banho, como também, para praticas esportivas. |